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    Ninho do Gavião da Serra


    PARTÍCULAS ELEMENTARES

    O início da minha carreira em física de partículas elementares foi em um laboratório no Cern, em Genebra, onde tinha um acelerador de partículas que faz essas radiações. E eu pude fazer observações num detector chamado câmara de bolhas, que ainda existia na época, e que permite visualizar por efeito macroscópico de ampliação o caminho de uma partícula, permite identificar essas partículas, medir e calcular as suas características e depois saber o que acontece nessa região da constituição da matéria. Quando eu vi isso – para mim até então as partículas eram uma abstração –, quando de repente eu vi os perpasses que permitem saber que essas radiações têm efeitos materiais, foi um pouco o meu caminho de Damasco, como caminho da revelação para São Paulo. Só que a minha revelação não foi de Deus, mas da realidade íntima da matéria.

     

    Michel Paty

    Revista Pesquisa FAPESP Online - Novembro 2009



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 17h42
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    TROCAS

    Foto de Júlio Cesar Góes. Feira de São Bento, Cascavel, CE.



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 00h12
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    VENDE-SE PEIXE SECO

    Foto de Júlio Cesar Góes. Feira de São Bento, Cascavel, CE.



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 22h22
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    REBANHOS

    Afinal de contas, que idade nos pertence mais que a infância, na qual, verdadeiramente, dependemos dos outros? Tudo é mais longo na infância. As férias nos parecem deliciosamente eternas. Os horários de aula também. Embora sujeitos à escola e sobretudo à família, temos nessa época da vida mais liberdade ante o que nos amarra do que em qualquer outra. Isso se deve, me parece, a que a liberdade na infância é idêntica à imaginação, e, como nesta tudo é possível, a liberdade para ser algo mais que a família e algo mais que a escola voa mais alto e nos permite viver mais separados que nas idades em que temos de nos conformar para sobreviver, ajustar-nos aos ritmos da vida profissional e submeter-nos a regras herdadas e aceitas por outra espécie de conformismo geral. Éramos, quando crianças, magos sigulares. Seremos, quando adultos, rebanhos.


    Trecho de "A Verdade e a Fortuna"
    de Carlos Fuentes
    Tradução de Carlos Nougué



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 21h52
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    O HOMEM QUE AMAVA AS MULHERES

     

    "não se pode fazer amor o dia inteiro,
    por isso inventaram o trabalho"

     "As pernas das mulheres são compassos
     que percorrem o globo terrestre em todos os sentidos
     dando-lhe equilíbrio e harmonia"  

    "O homem que amava as mulheres" (1977)
    Direção de François Truffaut



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 00h06
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    COMER

    Figos frescos

     

    Jamais provou uma iguaria, jamais degustou uma iguaria quem sempre a comeu com moderação. Assim se conhece talvez o prazer da comida, mas nunca a avidez por ela, o desvio do caminho plano do apetite, que leva à mata virgem da comezaina. É na comezaina, a saber, que estes dois se reúnem: a imoderação do desejo e a monotonia com que ele se sacia. Comer, isto significa antes de tudo: comer radicalmente. Não há dúvida de que isso alcança mais profudamente a coisa devorada que o prazer. Por exemplo, quando alguém dá uma dentada na mortadela como se fosse pão, se chafurda no melão como numa almofada, lambe caviar de papel farfalhante e sobre uma cuia de queijo Edam se esquece de tudo o mais que existe na Terra para comer.


    Walter Benjamin



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 18h45
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    PRELÚDIO




    Escrito por Júlio Cesar Góes às 00h36
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    PERGUNTAS DIFÍCEIS

    - Defendes pretos, Atticus? - perguntei-lhe eu nessa mesma tarde.- Claro que sim. Não digas preto, Scout. É feio.
    - Mas`é o qu`toda a gente diz na escola.
    - Então, a partir de agora passa a ser toda a gente, menos uma pessoa...
    - Mas então, se não queres que cresça a falar desta maneira, por que é que me mandas p`ra escola?



    Harper Lee, em "Por favor não matem a cotovia"



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 00h07
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    SMALL WORLD

    Foto da planta 'Arabidopsis thaliana', tirada por Heiti Pavez, da Universidade de Tecnologia da Estônia, 

    vencedora do concurso Nikon Small World que premia microfotografias.



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 22h14
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    NUESTRO PEQUEÑO MUNDO

    Foto de Isabel Muñoz


    En guerra. Entre 250.000 y 300.000 menores de 15 años están actualmente vinculados a fuerzas armadas o grupos armados, según Naciones Unidas. En la última década, las guerras se han cobrado la vida de más de dos millones de niños y niñas, y han dejado un millón de huérfanos. En Uganda alrededor de 25.000 menores y mujeres han sido hechos cautivos por los rebeldes desde finales de los años ochenta. Agnes recuerda con horror sus años con la guerrilla. "Pasé hambre y mucho miedo". Posa con todo lo que tiene: su ropa en una maleta.

     

    EL PAÍS, domingo 15 de noviembre de 2009.

     



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 00h19
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    EL CIRCO

    Dos atletas saltan de un lado a otro de mi alma
    lanzando gritos y bromeando acerca de la vida:
    y no sé sus nombres. Y en mi alma vacía escucho siempre
    cómo se balancean los trapecios. Dos
    atletas saltan de un lado a otro de mi alma
    contentos de que esté tan vacía.
    Y oigo
    oigo en el espacio sonidos
    una y otra vez el chirriar de los trapecios
    una y otra vez.
    Una mujer sin rostro canta de pie sobre mi alma,
    una mujer sin rostro sobre mi alma en el suelo,
    mi alma, mi alma: y repito esa palabra
    no sé si como un niño llamando a su madre a la luz,
    en confusos sonidos y con llantos, o bien simplemente
    para hacer ver que no tiene sentido.
    Mi alma. Mi alma
    es como tierra dura que pisotean sin verla
    caballos y carrozas y pies, y seres
    que no existen y de cuyos ojos
    mana mi sangre hoy, ayer, mañana. Seres
    sin cabeza cantarán sobre mi tumba
    una canción incomprensible.
    Y se repartirán los huesos de mi alma.
    Mi alma.
                   Mi hermano muerto fuma un cigarrillo junto a mí.

     

     

    Leopoldo María Panero

    "Poesía" 1970 - 1985



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 23h32
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    APÓS A CONCLUSÃO

    Com freqüência se tem imaginado a gênese das grandes obras na imagem do nascimento. Esta imagem é dialética; abrange o processo por dois aspectos. Um tem a ver com aconcepção criativa e se refere, no temperamento, ao feminino. Este fator feminino se esgota com a conclusão. Dá vida à obra e então se extingue. O que morre no mestre com a criação concluída é aquela parte nele em que a obra foi concebida. Mas eis que o conclusão da obra não é uma coisa morta - e isso leva ao outro aspecto do processo. Ele não é alcançável pelo exterior; o polimento e o aprimoramento não podem extraí-lo à força. Ele se consome no interior da própria obra. Aqui também se pode falar de um nascimento. Ou seja, em sua conclusão, a criação torna a parir o criador. Não segundo a sua feminilidade,na qual ela foi concebida, mas no seu elemento masculino. Bem-aventurado, o criador ultrapassa a natureza: pois esta existência que ele recebeu, pela primeira vez, das profundezas escuras do útero materno, terá de agradecê-la agora a um reino mais claro. A sua terra natal não é o lugar onde nasceu,mas, sim, ele vem ao mundo onde é asua terra natal. É o primogênio masculino da obra, que foi por ele cancebida.


    Walter Benjamin



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 20h12
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    FEIJÃO ESCORRIDO

    Foto de Júlio Cesar Góes. Feira de São Bento, Cascavel, CE.



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 00h04
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