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    PRESENÇA

    Tarde vos amei, beleza tão velha e tão nova; tarde vos amei.

    E, vede, estáveis dentro de mim, e eu andava buscando-vos no mundo exterior,

    e em meu estado deplorável mergulhei nas coisas belas que criastes.

    Estáveis comigo, e eu não estava convosco.

    As coisas belas me mantinham distante de vós,

    e contudo, se não tivessem sua existência em vós,

    não teriam existência alguma.

     

    Santo Agostinho, em "Confissões"



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 08h06
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    SERES DURMIENTES

    los norteamericanos no están ya interesados en la política, sino deseosos de abdicar de sus deberes como ciudadanos y entregárselos a los "expertos", que supuestamente actúan en nuestro nombre pero en realidad lo hacen, en primer lugar, para conservar su puesto, y después para servir los intereses de las grandes fortunas, que han comprado su acceso a los despachos. Los americanos ya no son ciudadanos. Como entidades políticas, son seres durmientes, desde un punto de vista moral, y no quieren ser despertados, quieren solamente que se les permita seguir llevando la vida que llevan –trabajando, comprando, enriqueciéndose a expensas de los pobres y de nuestro propio futuro. No es una imagen agradable.

     

    Richard Ford



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 21h25
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    CONSELHO ANÔNIMO

    "Como é impossível saber tudo de tudo, lembrem-se de que a coisa mais importante é saber onde buscar as coisas que precisamos conhecer. Haverá um momento em que vocês se interessarão por algum tema: então escavem nele o melhor que puderem".



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 20h59
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    UM GATO ENTRE HUMANOS

    Eu sou um gato. Ainda não tenho nome. Não faço a mínima idéia de onde nasci. Guardo apenas a lembrança de miar num local completamente sombrio, úmido e pegajoso. Deparei-me nesse lugar pela primeira vez com aquilo a que comumente se denomina criatura humana. Mais tarde, descobri que era um estudante-pensionista, a espécie considerada mais malévola entre todas essas criaturas. [...] Experimentei apenas uma agradável sensação quando o humano me soergueu com gentileza, pondo-me sobre a palma da mão. Aconchegado nela, pela primeira vez na vida encarei o rosto de um desses seres. Preservo até hoje na memória a impressão desagradável daquele momento. Em primeiro lugar, o rosto, que deveria estar coberto de pêlos, revelava a lisura de uma lata de remédio. Em nenhum dos muitos de minha espécie com os quais mais tarde me deparei observei essa horrenda deformação física.

     

     

    Extraído de "Eu Sou um Gato", de Natsume Soseki



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 19h49
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    ESSES HUMANOS

     de Zhu Ming

     

    "seres que criam coisas sem finalidade

     para depois sofrer por tê-las criado".

    Extraído de "Eu Sou um Gato", de Natsume Soseki

     



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 09h47
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    A PASSAGEM DO TEMPO

     "Ah, porque você sabe, meu filho, que a vida nós damos aos filhos para que eles a vivam, e já nos contentamos se algo chegar a nós por reflexo; mas não nos parece mais nossa; a nossa, para nós, aqui dentro, continua sempre aquela que não demos, mas que nos foi dada; aquela que, por mais que o tempo se alongue, conserva sempre o sabor da infância, o rosto e as atenções da nossa mãe e do nosso pai, e a casa antiga, como eles a fizeram para nós".

     

    Luigi Pirandello, em "Conversas com personagens"



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 10h42
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    MINHA BOEMIA

    Eu caminhava, as mãos nos bolsos desgastados;
    Também meu paletó fazia-se ideal;
    Ia sob o céu, Musa! e era o amante leal!
    Ah, que esplêndido amor o que então foi sonhado!

    Meus únicos calções tinham um grande furo.
    - Pequeno Polegar que entre rimas discursa,
    Via minha taverna às margens da Grande-Ursa.
    E os astros - todos meus - sussurravam no escuro!

    Sentado eu escutava, à beira dos caminhos,
    As meigas noites de setembro; e tinha o vinho
    Do orvalho sobre a fronte - ó tônico perfeito!

    E ali rimas tecia entre vultos fantásticos,
    Com a minha lira - meu sapato e seus elásticos
    Que eu fazia vibrar, tendo um pé contra o peito!

     

    Arthur Rimbaud(1854-1891)

    Tradução de Jorge Wanderley



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 19h12
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    COMO HÁ SÉCULOS

    10% da população concentra 75% da riqueza do Brasil.



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 08h13
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    DA NOBREZA DO HOMEM

    Fotopintura de Rubens Gerchman

     

    "A meu ver,

    apenas a condenação à morte

    enobrece um homem.

    É a única coisa que não se compra."

     

     Stendhal

     



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 13h09
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    PERGUNTAS

    Ilustração de Isidro Ferrer

     

    "Há alguma coisa mais triste no mundo que um trem imóvel na chuva?"

     "Por que se suicidam as folhas quando se sentem amarelas?"

     "As lágrimas que não choramos esperam em pequenos lagos?"

     "Há coisa mais boba na vida que chamar-se Pablo Neruda?".

     

    Do "Livro das Perguntas”, de Pablo Neruda

     



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 15h41
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    REFUGIADO

    Kharaz refugee camp, Yemen: A Somali refugee with a henna facial mask



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 20h04
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    UMA RELAÇÃO CANIBAL

    Antes de mais nada, continuo a aprender. O primeiro curso que dei como professor foi sobre a poética de James Joyce, que aparece em "Obra Aberta". Eu conhecia o argumento, mas, ao começar a dar aula, me dei conta de que não sabia nada sobre o tema. Aprendi e continuo aprendendo. Quando se escreve um livro, pode-se dar a impressão de saber muito, mas em sala de aula é diferente. O que fiz desde aquela primeira experiência foi falar a partir dos livros que iria escrever, não dos que já havia escrito. Quero dizer que minha relação com os alunos sempre foi uma relação de aprendizagem, porque, ensinando, eu também aprendia.

    Uma relação erótica, porque a relação de um professor com um aluno é como a relação de um ator com seu público: quando você aparece em cena, é como se o estivesse fazendo pela primeira vez, e você tem a sensação de que, se não tiver conquistado o público nos primeiros cinco minutos, o terá perdido. É isso o que eu chamo de uma relação erótica, no sentido platônico do termo. Além disso, há uma relação canibal: você come as carnes jovens deles, e eles comem sua experiência. Há pessoas infelizes que passam os primeiros anos de sua vida com pessoas mais jovens, para poder dominá-las, e, quando envelhecem, estão com pessoas mais velhas. Comigo aconteceu o contrário: quando eu era jovem, estava com pessoas mais velhas que eu, para aprender, e agora, tendo alunos, estou com jovens, o que é uma maneira de manter-se jovem. É uma relação de canibalismo; comemos um ao outro. Por isso não deixei de ter relação com a universidade, apesar de ter me aposentado.

     

     

    Umberto Eco



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 23h31
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    INFORMAÇÃO E MEMÓRIA

     DANI DAN. El guardián del templo

     

    Esse é um de nossos problemas contemporâneos. A abundância de informação irrelevante, a dificuldade em selecioná-la e a perda de memória do passado - e não digo nem sequer da memória histórica. A memória é nossa identidade, nossa alma. Se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal.
    Se você bate a cabeça em algum lugar e perde a memória, converte-se num vegetal. Se a memória é a alma, diminuir muito a memória é diminuir muito a alma.

     

    Umberto Eco

     



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 00h26
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    EL LECTOR SALTEADO

     

    O conceito de "lector salteado" foi criado por Macedonio nos anos 20, em um livro chamado "Museo de la Novela de la Eterna". Ali, estabelece uma série de categorias de leitores. Entre eles, está o "lector salteado". É um retrato do leitor atual, que já não é aquele que está isolado, concentrado e lutando contra a interrupção. Mas sim que entra e sai do texto, se move, interage com o que está ao redor, vai de um livro a outro ou a outros textos mais rápidos que lhe surgem pela internet. É um leitor que assume a interrupção como parte da narrativa. Macedonio captou o processo que ia se desenvolver e que levaria à fragmentação da experiência da leitura, que supõe um corte com a lógica linear da significação. Isso não seria algo negativo, a princípio, mas um novo tipo de situação de leitura.

     

    Ricardo Piglia

     



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 11h58
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    ARTERIOSCLEROSE

    Arman, "Arteriosclerose" (1961)



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 17h11
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    VOCÊ

    você é uma fera, ela disse

    sua enorme barriga branca

    e seus pés cabeludos.

    você jamais corta as unhas

    e tem mãos gordas

    como as patas de um gato

    seu nariz vermelho e brilhante

    e os maiores bagos que

    eu já vi.

    você lança esperma como

    uma baleia lança água pelo

    buraco das costas.

    fera, fera, fera,

    ela me beijou,

    o que você quer para o

    café-da-manhã?

     

     

    CHARLES BUKOWSKI,



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 11h06
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    A FUTURA HERANÇA MALDITA

    A economia brasileira não fez outra coisa, nas últimas décadas, a não ser adaptar-se aos ciclos do capital financeiro internacional. Na década de 1970, absorvemos, sob a forma de dívida, uma fração do excesso de liquidez provocado pelo acúmulo dos petrodólares.

    Na década de 1980, com o governo dos Estados Unidos enxugando essa liquidez, fomos convocados a remeter ao exterior um múltiplo do que havíamos recebido; iniciamos um longo período de crise. Na década de 1990, quando o sistema financeiro retornou a uma posição emprestadora, fomos chamados a renegociar a "dívida velha", para voltar a receber recursos novamente disponíveis. Graças a eles, durante vários anos, sustentamos déficits em transações correntes, o verdadeiro lastro do Plano Real. Uma nova crise cambial, alguns anos depois, mostrou como tudo era frágil.

    O problema estrutural da economia brasileira é sua condição de "economia reflexa", que apenas se adapta a ciclos externos e, por isso, não constitui um projeto próprio de desenvolvimento. A expressão não é minha, mas de Eugênio Gudin, cunhada na década de 1950. Aprofundamos essa condição ao nos inserir no processo de globalização, principalmente, pelos fluxos financeiros, ao contrário das economias asiáticas, que privilegiaram a inserção pela produção e o comércio. Elas sempre selecionaram os investimentos que consideram desejáveis, aqueles que fortalecem as economias locais, e recusaram os indesejáveis, o endividamento irracional e predador, que prepara desequilíbrios e crises.

    Nós nos atrelamos a capitais que mantêm conosco vínculos tênues, ligados a oportunidades de realizar bons negócios no curto prazo. Como o espaço de manobra desses capitais ultrapassa amplamente o espaço da sociedade nacional, perdemos a capacidade de controlar o nosso processo de desenvolvimento. A abertura financeira, iniciada por Collor e concluída por Lula, entregou a eles o nosso destino.

    A primeira conseqüência é a fraca capacidade de nossa sociedade de disciplinar o impulso de acumulação de capital, compatibilizando-o com o equacionamento da questão social e o fortalecimento da soberania nacional, em bases economicamente sustentáveis. A segunda conseqüência é o aprofundamento da tendência a realizar ajustes passivos aos ciclos internacionais. A conjuntura favorável dos últimos anos -um gigantesco "choque externo positivo"- tem servido para legitimar essa opção. A coligação rentista, que nos governa, está em festa: para a Standard & Poor's, somos "investment grade". Mais capital especulativo ficará disponível para operações de arbitragem. As empresas poderão tomar mais recursos lá fora, a juros reais negativos, para aplicá-los nos papéis mais rentáveis do mundo, remunerados pelo Estado brasileiro.

    Não importa em quanto aumentará o nosso passivo externo líquido -imenso, porém discreto, pois não contabilizado na forma de uma dívida tradicional. Não importa que, com uma nova rodada de apreciação cambial, aprofunde-se a tendência ao desequilíbrio em conta corrente e se consolide uma economia baseada em indústrias maquiadoras e na produção de commodities, as atividades mais adaptadas a esse ambiente. Não importa saber que uma reversão do ciclo internacional nos imporá altíssimo preço, como já impôs no passado. Essas são questões do futuro, um tempo em que os especuladores de hoje não estarão mais aqui.Recebemos de presente uma maçã envenenada. Uma herança maldita está a caminho.

     

    Cesar Benjamin, FSP, 3 de maio de 2008.



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 18h22
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    ASSASSINOS SEM ROSTO

    The Shooting of May Third 1808 by Francisco de Goya

     

    A maioria das vítimas tem rosto. Seus assassinos não têm. Esse é um dos aspectos mais ressaltados no “El Tres de Mayo”, e com justiça: com esse quadro nasce a imagem moderna da guerra como matança anônima, e uma longa tradição de ver a matança como um espetáculo enobrecido chega ao fim, com atraso.

     

    Robert Hughes, em “Goya”

     



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 11h39
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    SOBRE LA INCOMUNICACION

    Me intriga ver cómo los humanos se equivocan al interpretar las intenciones de los otros humanos, y las importantes consecuencias de estos malentendidos, consecuencias que, de hecho, se convierten en nuestras vidas. Estamos constantemente luchando para entender los signos que nos dirigen, ver si son importantes o no, extraer mensajes del pasado, ver cómo resulta la comedia humana, o la tragedia humana.

     

    Richard Ford



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 20h00
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    CARNE QUITADA

    Glauco Mattoso

     



    Escrito por Júlio Cesar Góes às 00h59
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